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O Presidente da República, Daniel
Francisco Chapo, lançou, nesta Sexta-feira (13), na vila de Moatize,
província de Tete, a primeira pedra do Projecto Mineiro de Revúboè,
uma iniciativa considerada estratégica para o fortalecimento do
sector extractivo e para a dinamização do crescimento económico
nacional.
Falando na cerimónia, o Chefe do Estado afirmou que o projecto
representa um marco importante na valorização dos recursos minerais
do país e na atracção de investimento directo, sublinhando que o
Governo continuará empenhado em promover iniciativas que geram
emprego para a juventude, aumentam as receitas do Estado e
contribuem para a melhoria das condições de vida da população.
“A nossa presença neste acto atesta a aposta do nosso Governo na
atracção de mais investimentos, orientados para a criação de postos
de emprego para a nossa juventude e para a geração de receitas
para o Tesouro Público”, declarou o Presidente da República.
O estadista saudou igualmente a empresa Jindal Steel & Power, novo
accionista do empreendimento, pela confiança depositada no
potencial mineiro de Moçambique e pela decisão de investir na
reactivação e desenvolvimento da mina de Revúboè.
Segundo o Chefe do Estado, a província de Tete possui algumas das
mais importantes reservas de carvão do continente africano e do
mundo, sendo historicamente reconhecida como o coração
carbonífero do país. Contudo, frisou que o principal desafio continua a
ser transformar essa riqueza geológica em desenvolvimento humano
concreto.
“O nosso desafio histórico tem sido transformar essa riqueza geológica
em desenvolvimento humano mensurável, em estradas; em escolas,
em centros de saúde e em melhores condições de vida para cada
família moçambicana”, afirmou.
De acordo com o Presidente da República, o projecto de Revúboè
apresenta um elevado potencial económico, social e estratégico. Na
primeira fase prevê-se uma produção anual de cerca de 3,5 milhões
de toneladas de carvão, com possibilidade de atingir 7 milhões de
toneladas por ano na segunda fase, projectada para 2032.
A iniciativa deverá igualmente criar 1.500 empregos directos e cerca
de 8 mil indirectos, beneficiando, sobretudo, jovens e trabalhadores da
província de Tete. Com uma vida útil estimada em 35 anos, o projecto
deverá contribuir de forma consistente para o aumento das receitas
do Estado e para o financiamento de sectores prioritários como
educação, saúde, agricultura e infra-estruturas.
O Chefe do Estado destacou, ainda, que a entrada em
funcionamento da mina reforçará o posicionamento de Moçambique
como um dos principais produtores de carvão da África Austral, além
de optimizar o uso das infra-estruturas logísticas nacionais,
nomeadamente, os corredores ferroviários da Beira e de Nacala.
Na ocasião, o Presidente da República enfatizou que o projecto se
enquadra na estratégia nacional de industrialização, defendendo que
o país deve deixar de exportar apenas matérias-primas em bruto.
“Por décadas, Moçambique exportou matérias-primas sem valor
acrescentado, deixando para outros países os benefícios do
processamento industrial. Esse paradigma tem de mudar, e com
Revúboè começamos a mudar”, afirmou.
Segundo explicou, o carvão produzido na mina será, em grande
parte, utilizado em unidades industriais da própria empresa para a
produção de aço, contribuindo para o desenvolvimento da cadeia
de valor no território nacional.
O estadista exortou igualmente ao operador do projecto a apresentar,
com urgência, uma estratégia clara de contratação de empresas
nacionais e da promoção da moçambicanização da mão-de-obra,
garantindo que os benefícios da exploração mineira sejam partilhados
com as comunidades locais.
No mesmo contexto, sublinhou a necessidade de o projecto respeitar
rigorosamente os padrões de responsabilidade social e ambiental,
advertindo que o Governo acompanhará de perto a sua
implementação.
“Não aceitaremos que as oportunidades geradas por este projecto
passem ao lado das nossas comunidades e das nossas empresas”,
advertiu.
Entre outras medidas, está prevista a construção de uma nova vila de
reassentamento com habitações dignas, serviços básicos e infra-
estruturas sociais, incluindo um centro de saúde comunitário.
Para o Presidente da República, a exploração responsável dos
recursos naturais deve traduzir-se em benefícios concretos para as
populações locais, através de oportunidades económicas em áreas
como fornecimento de bens alimentares, serviços logísticos, transporte
e outras actividades associadas à cadeia mineira.
“A maior riqueza de Tete não é apenas o carvão, mas sim o seu povo,
trabalhador, resiliente e orgulhoso. É para este povo que
trabalhamos”, sublinhou.
O Chefe do Estado manifestou ainda a expectativa de que o projecto
de Revúboè marque o início de uma nova relação entre o sector
extractivo e as comunidades, baseada na transparência, no respeito e
no benefício mútuo.
Na parte final da sua intervenção, felicitou ao Ministério dos Recursos
Minerais e Energia, aos investidores, às autoridades locais e à
população da província de Tete pela concretização do projecto,
desejando sucesso na sua implementação.
“Esperamos que este projecto contribua para reforçar o
posicionamento de Moçambique como um destino atractivo para o
investimento mineiro e para consolidar o sector como um dos pilares
do desenvolvimento económico nacional”, concluiu.