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Chapo apresenta em Bruxelas visão para transformar Moçambique em hub energético e logístico da SADC

16/03/2026 | Notícia

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, apresentou hoje, em Bruxelas, uma visão estratégica ambiciosa para transformar Moçambique num pilar central da energia e logística na África Austral. Durante uma mesa-redonda de alto nível com o Governo Federal e empresários da Bélgica, o Chefe do Estado destacou o potencial de industrialização verde e os megaprojectos de gás natural como motores de uma transformação económica sem precedentes.

O encontro, centrado na transição energética global, procurou reforçar parcerias em sectores onde a Bélgica detém forte experiência, como a gestão portuária e a inovação digital.

No domínio dos hidrocarbonetos, o Presidente detalhou os avanços dos projectos na bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado. Segundo o estadista, a melhoria das condições de segurança no norte do país tem permitido a revitalização de projectos anteriormente suspensos, incluindo o liderado pela TotalEnergies. O projecto, iniciado por volta de 2017, foi interrompido devido à situação de terrorismo, mas está agora em processo de retoma.

O optimismo presidencial estendeu-se também à parceria com os Estados Unidos, com destaque para o projecto liderado pela ExxonMobil. Segundo Chapo, o Governo está em diálogo com a empresa e existe a expectativa de que, entre Agosto e Setembro, seja anunciada a decisão final de investimento.

Para além do gás, Moçambique reafirmou a sua vocação para as energias renováveis, posicionando-se como solução para o défice energético regional. O Presidente destacou o papel da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, que já fornece energia limpa a vários países da região da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral. Neste contexto, convidou o sector privado a participar no projecto Mphanda Nkuwa, que terá uma capacidade estimada de 1.500 megawatts.

A estratégia de industrialização nacional passa, segundo o Chefe do Estado, pelo aproveitamento inteligente dos recursos domésticos. O objectivo é utilizar o gás natural para produzir fertilizantes, impulsionar a industrialização e expandir as centrais de energia e linhas de transmissão. O Presidente referiu igualmente a central de Temane, na província de Inhambane, como um dos projectos-chave para fortalecer a produção energética.

A diversificação económica também esteve no centro do discurso, com destaque para os sectores da agricultura e do turismo. O Presidente sublinhou o potencial das vastas áreas agrícolas do país e os cerca de 2.700 quilómetros de costa, convidando investidores belgas a apostar na segurança alimentar e no turismo sustentável, incluindo áreas de conservação como o Parque Nacional da Gorongosa e a Reserva Nacional do Niassa.

No plano logístico, Moçambique apresentou os seus três principais corredores de desenvolvimento — Corredor de Maputo, Corredor da Beira e Corredor de Nacala — como portas estratégicas para o interior do continente africano. O Presidente destacou ainda a modernização do Porto de Nacala, considerado um dos melhores portos de águas profundas da região.

A ambição moçambicana estende-se igualmente ao domínio tecnológico. Acompanhado pelo Ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, o Presidente afirmou que o país pretende transformar-se num centro digital regional, com a instalação de centros de dados e o desenvolvimento de corredores digitais para complementar as infra-estruturas logísticas existentes.

O encontro terminou com um convite directo aos empresários belgas para investirem em Moçambique. Daniel Chapo reiterou que o país possui uma estratégia clara e está aberto a parcerias público-privadas para impulsionar o crescimento económico e criar novas oportunidades de investimento.