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O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, reuniu-se hoje, na cidade do Porto, com a comunidade moçambicana residente em Portugal, num encontro marcado pela valorização do contributo da diáspora e pelo apelo ao reforço das ligações entre os moçambicanos no exterior e o país. O Chefe do Estado partilhou a situação política, económica e social de Moçambique e sublinhou a importância da participação inclusiva no processo de diálogo nacional.
A actividade enquadra-se na visita de trabalho que o Presidente efectua a Portugal para participar na VI Cimeira Bilateral Portugal–Moçambique. Na sua intervenção, Chapo destacou o objectivo da deslocação, afirmando que a cooperação entre os dois países assenta em laços históricos de amizade, irmandade e familiaridade, que importa fortalecer em diversas áreas.
O Presidente manifestou satisfação por se encontrar com os compatriotas, referindo que estes encontros constituem momentos privilegiados de contacto directo e de escuta. Realçou o Diálogo Nacional Inclusivo em curso, um processo que visa consolidar a paz e a estabilidade com a participação de todos os sectores da sociedade. “Este diálogo está a acontecer não apenas dentro do país, mas também junto das nossas comunidades no exterior. Todos somos chamados a participar”, afirmou, apelando à apresentação de ideias e propostas que possam enriquecer o debate nacional.
No encontro, Chapo apresentou ainda a visão estratégica do Governo para o actual ciclo, centrada na criação das bases da independência económica. Destacou o potencial nacional em sectores como turismo, transportes, logística, corredores de desenvolvimento, recursos minerais, agricultura, energia e indústria. “Precisamos de avançar unidos para assegurar a diversificação económica de Moçambique”, reforçou.
O Chefe do Estado reconheceu igualmente o contributo que a comunidade moçambicana em Portugal presta à boa imagem do país, em áreas como cultura, educação, desporto e empreendedorismo. Sublinhou que o Governo tem beneficiado das contribuições e preocupações apresentadas pela diáspora e garantiu que continuará a trabalhar para resolver os desafios identificados.
Entre as medidas anunciadas, destacou o envio de equipas móveis para tratar documentos em Portugal, com o compromisso de aumentar os recursos para que estas brigadas possam permanecer por mais tempo e abranger outros países com comunidades significativas. Informou ainda sobre as reformas em curso nas Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), revelando a intenção de retomar os voos diretos para Portugal, bem como para o Brasil e a Índia. “A retoma dos voos para Portugal já está na manga”, disse, indicando que a medida ajudará a estabilizar os preços das passagens aéreas.
Em nome da comunidade, os representantes agradeceram a visita, que consideraram “uma honra”, sublinhando que há muitos anos um Presidente moçambicano não visitava o Porto — gesto que descreveram como “um abraço do país”. Recordaram que a diáspora em Portugal é composta por cerca de 13.700 moçambicanos, entre estudantes, profissionais, empreendedores, atletas e famílias, que continuam a enfrentar desafios de adaptação cultural e acesso a oportunidades, mas mantêm o compromisso de contribuir para o desenvolvimento nacional.
A comunidade apresentou preocupações e sugestões, incluindo o aumento de bolsas de estudo, maior atenção institucional às dinâmicas da diáspora e a criação de um espaço físico para actividades culturais. Expressaram também solidariedade com as vítimas do terrorismo em Cabo Delgado e elogiaram a dedicação do Chefe do Estado ao Diálogo Nacional Inclusivo.
O encontro decorreu num ambiente vibrante, marcado por poesia, música e danças que celebraram a identidade e a diversidade cultural moçambicana, reforçando o sentimento de pertença e união entre os compatriotas.