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Moçambique e Portugal reforçam parceria com foco na juventude

15/07/2026 | Notícia

Maputo, 15 de Julho de 2026 – Os Presidentes de Moçambique e de Portugal, Daniel Francisco Chapo e António José Martins Seguro, defenderam hoje, em Lisboa, uma visão de futuro para a cooperação bilateral assente na formação da juventude, ciência, tecnologia, inovação, sustentabilidade e estabilidade política, considerando que estes pilares serão determinantes para consolidar uma parceria estratégica entre os dois países e reforçar o papel da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) nos grandes fóruns internacionais.

Durante o “Diálogo entre Presidentes”, realizado no âmbito da abertura do Fórum EuroAfricano 2026, o estadista moçambicano afirmou que preparar o futuro exige colocar os jovens e o conhecimento no centro das políticas públicas, destacando que Moçambique criou o Ministério das Comunicações e Transformação Digital precisamente para acelerar a transformação digital e o desenvolvimento do capital humano.
“E, como disse muito bem aqui, Sua Excelência o Presidente António Seguro, que nós temos relações históricas, mas temos que preparar o futuro. E o futuro pertence à juventude”, afirmou Daniel Chapo, acrescentando que “não temos outra saída senão apostarmos na juventude, na ciência, na tecnologia, no conhecimento”.

O Chefe do Estado moçambicano sublinhou igualmente que o desenvolvimento económico só será sustentável se caminhar lado a lado com o desenvolvimento social, defendendo investimentos na educação, investigação científica, turismo, agricultura, economia azul, logística e industrialização como forma de diversificar a economia nacional para além da indústria extractiva.

António José Martins Seguro considerou que Portugal dispõe de instituições de ensino superior e centros de investigação capazes de aprofundar significativamente a cooperação com Moçambique, defendendo uma parceria que ultrapasse a simples formação académica e evolua para projectos conjuntos de investigação, inovação e transferência de conhecimento.

No domínio das alterações climáticas, Daniel Chapo agradeceu a solidariedade prestada por Portugal durante as cheias, inundações e ciclones que afectaram Moçambique, defendendo que os dois países devem investir conjuntamente em infra-estruturas resilientes e integrar os desafios climáticos no planeamento estratégico do desenvolvimento.
Abordando a estabilidade política e a segurança, o Presidente moçambicano reiterou que o Diálogo Nacional Inclusivo em curso tem contribuído para reforçar a confiança dos investidores e destacou as melhorias verificadas em Cabo Delgado, agradecendo o apoio prestado por Portugal e pela União Europeia no combate ao terrorismo.

O Chefe do Estado português, por sua vez, reafirmou que Portugal continuará a apoiar Moçambique, respeitando plenamente a sua soberania e reconhecendo os avanços alcançados pelo Governo moçambicano.

Os dois Chefes de Estado defenderam ainda uma CPLP mais influente nos assuntos internacionais, considerando que a dimensão demográfica, económica e cultural da comunidade lusófona deve traduzir-se numa voz mais forte nas Nações Unidas, na União Africana, na União Europeia e noutros fóruns multilaterais.
Daniel Chapo sustentou que a língua portuguesa constitui uma vantagem competitiva para impulsionar a cooperação económica entre os Estados-membros, enquanto António Seguro destacou a defesa do multilateralismo, da paz e da resolução pacífica dos conflitos como valores comuns da comunidade lusófona.

No encerramento do diálogo, ambos projectaram uma visão de futuro centrada na paz e no bem-estar das novas gerações. António Seguro afirmou desejar “que daqui a 10 anos o mundo seja menos fragmentado, menos polarizado, menos bélico, menos agressivo”, enquanto Daniel Chapo concluiu que espera que os jovens portugueses e moçambicanos possam reconhecer que os actuais líderes contribuíram para criar melhores condições de vida “num mundo de paz e segurança”, transformando a cooperação entre os dois países num instrumento efectivo de desenvolvimento humano e prosperidade partilhada.