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Luanda, 18 de Junho de 2026 – O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, defendeu esta quinta-feira uma aposta estratégica no turismo como um dos principais motores da diversificação económica de Moçambique, considerando que o sector possui capacidade para gerar emprego, atrair investimento e impulsionar o crescimento sustentável de forma mais abrangente e inclusiva.
A posição foi apresentada durante o painel de Diálogo Presidencial da Cimeira de Investimento do Fórum Global do Turismo 2026, que decorre em Luanda sob o lema “Moldando o Futuro do Turismo em Destinos Emergentes”, reunindo líderes africanos, investidores internacionais, instituições financeiras e especialistas do sector.
Na sua intervenção, o Chefe do Estado destacou que, embora Moçambique esteja a desenvolver alguns dos maiores projectos energéticos do continente, o futuro económico do país não pode assentar exclusivamente nos recursos naturais.
Segundo Daniel Chapo, a visão do Governo passa por construir uma economia mais diversificada, resiliente e capaz de criar oportunidades para um número cada vez maior de cidadãos.
“Nós temos projectos de gás natural liquefeito avaliados entre 50 e 60 mil milhões de dólares para os próximos anos. Contudo, não queremos concentrar-nos apenas no gás. Queremos diversificar a nossa economia”, afirmou.
O Presidente explicou que o turismo surge como um dos sectores com maior potencial para liderar esse processo de transformação económica, tendo em conta os recursos naturais, culturais e históricos que Moçambique possui.
Entre as vantagens competitivas do país, destacou os cerca de 2.700 quilómetros de costa, as ilhas, os parques nacionais, as áreas de conservação, o património cultural e a riqueza da biodiversidade existente em várias regiões do território nacional.
Para transformar esse potencial em resultados concretos, Daniel Chapo considerou essencial acelerar os investimentos em infra-estruturas básicas, nomeadamente estradas, corredores de desenvolvimento, sistemas de abastecimento de água, fornecimento de energia e equipamentos de apoio à actividade turística.
Segundo explicou, o Governo está a trabalhar na criação de condições que permitam aos investidores encontrar zonas devidamente estruturadas e preparadas para receber novos empreendimentos.
Outro dos desafios identificados pelo Presidente está relacionado com a conectividade aérea no continente africano.
Daniel Chapo defendeu uma maior integração dos sistemas de transporte aéreo na região, observando que muitas ligações entre países africanos continuam a depender de escalas fora do continente, situação que limita o crescimento do turismo e aumenta os custos de deslocação.
O estadista elogiou a ligação aérea entre Luanda e Maputo, actualmente assegurada por cinco voos semanais, mas considerou que ainda existe espaço para uma maior integração regional no âmbito da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
Neste contexto, destacou iniciativas apoiadas pelo Banco Africano de Desenvolvimento destinadas à reestruturação de companhias aéreas e ao fortalecimento das ligações regionais para facilitar o fluxo de turistas entre diferentes destinos africanos.
No domínio das reformas económicas, Daniel Chapo defendeu medidas orientadas para a melhoria do ambiente de negócios, incluindo a simplificação de procedimentos administrativos, a digitalização de serviços e a facilitação dos processos de emissão de vistos.
O Presidente sugeriu igualmente a adopção de mecanismos inovadores para atrair investimento estrangeiro, incluindo programas de residência associados a grandes projectos de investimento.
“É importante criar um ambiente favorável aos investidores nacionais e estrangeiros. Devemos continuar a procurar instrumentos que aumentem a competitividade dos nossos países na captação de capital internacional”, afirmou.
Ao abordar o impacto social do turismo, o Chefe do Estado destacou a sua capacidade de gerar oportunidades em todos os níveis da economia, desde pequenas actividades comunitárias até grandes investimentos internacionais.
Segundo explicou, ao contrário de alguns sectores extractivos que exigem mão-de-obra altamente especializada, o turismo cria oportunidades para uma ampla diversidade de profissionais e actividades económicas.
Daniel Chapo aproveitou ainda a ocasião para esclarecer investidores internacionais sobre a situação de segurança em Cabo Delgado, sublinhando que os desafios existentes estão limitados a algumas zonas específicas da província e não representam a realidade do conjunto do território nacional.
O Presidente recordou que importantes projectos económicos continuam em curso, destacando a retoma das actividades da TotalEnergies e os preparativos para a futura decisão final de investimento da ExxonMobil, avaliada em cerca de 20 mil milhões de dólares.
No encerramento da sua participação, o Chefe do Estado defendeu uma visão integrada para o desenvolvimento do continente africano, apelando ao reforço da cooperação regional, à eliminação gradual de barreiras ao comércio e à plena operacionalização da Zona de Comércio Livre Continental Africana.
À margem da cimeira, Daniel Chapo manteve encontros de trabalho com o Presidente de Angola, João Lourenço, durante os quais foram discutidas formas de reforçar a cooperação económica, aumentar as ligações aéreas entre os dois países e aprofundar a colaboração entre instituições financeiras e empresas estratégicas de ambas as nações.
Para o Presidente da República, o fortalecimento destas parcerias representa uma oportunidade para acelerar o investimento, impulsionar a diversificação económica e criar melhores condições de vida para os cidadãos moçambicanos e africanos em geral.