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O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, afirmou esta terça-feira, em Pretória, que a sua visita de trabalho à África do Sul resultou em entendimentos relevantes para o reforço da cooperação bilateral, ao mesmo tempo que apelou à calma perante relatos de violência contra estrangeiros, incluindo moçambicanos.
Durante a conferência de imprensa que marcou o término da missão, o Chefe de Estado classificou a visita como “marcada por uma agenda objectiva, centrada no aprofundamento das relações político-diplomáticas e económicas entre os nossos dois países”.
O estadista destacou a importância dos consensos alcançados com o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, sublinhando que os entendimentos fortalecem os laços históricos de amizade e solidariedade entre Moçambique e África do Sul.
No plano económico, os encontros ao mais alto nível serviram para identificar e impulsionar áreas estratégicas de interesse comum. Segundo Daniel Chapo, os dois governos acordaram na necessidade de acelerar a implementação de acções concretas através das equipas técnicas dos dois países, com vista à materialização dos compromissos assumidos em sectores como energia, recursos minerais, agricultura, indústria, transporte e logística.
A situação de segurança dos moçambicanos residentes na África do Sul foi um dos temas centrais da agenda. O Presidente moçambicano manifestou “profunda preocupação” em relação às manifestações e actos de violência dirigidos contra estrangeiros africanos, incluindo cidadãos moçambicanos, mas reiterou confiança na liderança de Cyril Ramaphosa para garantir a protecção de todos os residentes.
Durante a intervenção, Daniel Chapo deixou uma forte mensagem de paz e condenou qualquer tentativa de retaliação. “O ódio não constrói, a violência não constrói. Se queremos construir desenvolvimento, temos de construir com paz e segurança. A violência não se responde com violência e o ódio não se responde com ódio”, declarou.
O governante recordou ainda o legado histórico de solidariedade entre os dois povos, lembrando a luta conjunta pela independência de Moçambique e contra o regime do apartheid na África do Sul.
“Como povos que sempre estiveram juntos, é importante que neste momento possamos continuar unidos para desenvolver os nossos dois países”, afirmou, apelando ao respeito mútuo como condição essencial para a paz e estabilidade regional.
Na interação com os jornalistas, o Presidente esclareceu que circulam nas redes sociais informações não confirmadas sobre alegadas ondas de ataques contra estrangeiros, algumas acompanhadas de vídeos fora de contexto ou provenientes de outros países.
Perante a situação, deixou um apelo directo à população moçambicana para evitar actos de violência ou retaliação. “Não se responde à violência com violência, não se responde ao ódio com ódio. Responde-se com paz, com amor ao próximo e, sobretudo, com a manutenção da segurança e harmonia na convivência entre os dois povos”, reforçou.
Para acompanhar de perto a situação das comunidades moçambicanas na África do Sul, o Chefe de Estado anunciou que a Ministra do Trabalho, Género e Acção Social deverá deslocar-se brevemente àquele país. A missão terá como objectivo contactar directamente as comunidades e os trabalhadores mineiros moçambicanos, de modo a avaliar as suas condições de segurança e responder a eventuais preocupações logísticas.
Segundo Daniel Chapo, a resposta das autoridades sul-africanas foi positiva e receptiva. O Presidente Cyril Ramaphosa terá condenado os actos de violência e os discursos radicais, garantindo que as autoridades irão trabalhar para restaurar a ordem e assegurar a estabilidade.
Ao concluir o balanço da visita, o Presidente da República reafirmou a excelência das relações diplomáticas entre os dois países e defendeu uma integração económica regional mais robusta. Para o estadista, a prioridade neste momento é preservar a tranquilidade social e reforçar o diálogo como caminho para o desenvolvimento e prosperidade dos dois povos.