O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, afirmou esta segunda-feira, em Chimoio, província de Manica, que a sua obra autobiográfica Do Cativeiro à Presidência da República constitui um testemunho de superação e uma mensagem de esperança, sobretudo para a juventude, defendendo que as circunstâncias do nascimento e as adversidades enfrentadas ao longo da vida não devem determinar o futuro de cada cidadão.
A afirmação foi feita durante o encontro literário O Autor e os Leitores uma conversa sobre a obra ‘Do Cativeiro à Presidência da República’, concebido como um espaço de diálogo directo entre o autor e os leitores sobre as motivações, os conteúdos e as principais mensagens do livro, lançado a 16 de Janeiro deste ano.
Durante a conversa, o Chefe do Estado explicou que a obra não pretende reconstituir de forma detalhada o seu percurso político, mas apresentar dimensões pessoais da sua vida, desde a infância marcada pela guerra e pelo cativeiro até à sua trajectória académica, profissional e política.
Este é um livro mais pessoal, que trata da vida da pessoa, afirmou, acrescentando que uma obra especificamente dedicada ao seu percurso político poderá ser publicada futuramente.
Daniel Chapo revisitou, na ocasião, um dos períodos mais difíceis da sua infância, quando, segundo relatou, foi raptado com a família em Inhaminga, durante a guerra, permanecendo em cativeiro durante quatro anos.
Nós fomos, portanto, raptados em Inhaminga durante a guerra em 1983 e só voltamos, fugimos para Dondo, em 1987. Portanto, foram quatro anos no cativeiro, relatou, descrevendo uma experiência marcada pela fome, doenças, privações e deslocações constantes.
O Presidente da República afirmou que essa experiência marcou profundamente a sua percepção sobre a liberdade, a dignidade humana e o sofrimento, defendendo que situações semelhantes não devem voltar a repetir-se.
O cativeiro não é um local para crianças, aliás, nem devia existir o cativeiro em nenhuma parte do mundo e em nenhuma parte da história de qualquer pessoa, porque o Homem é para viver livre, declarou.
Segundo o Chefe do Estado, o desporto, o teatro e a educação desempenharam um papel importante na reconstrução da sua vida após o período de cativeiro. O basquetebol, as artes cénicas, a escola e, posteriormente, o jornalismo constituíram caminhos através dos quais conseguiu ultrapassar adversidades e construir novos horizontes.
Dirigindo-se particularmente à juventude, Daniel Chapo explicou que a principal mensagem da autobiografia é mostrar que o futuro não deve ser condicionado pelas circunstâncias em que uma pessoa nasce ou pelas dificuldades que enfrenta.
Queria aqui aproveitar esta ocasião para dizer à juventude que o objectivo principal deste livro é dizer o seguinte: a vida e o seu futuro são definidos por aquilo que você faz e aquilo que Deus realmente já destinou para si. Não depende de onde você nasceu, nem como, nem em que momento, nem em que condições nasceu. Por isso é mais uma obra de motivação do que qualquer outro aspecto, sublinhou.
Ao longo do encontro com os leitores, o estadista partilhou igualmente episódios da sua passagem pela Universidade Eduardo Mondlane (UEM), pela Televisão Miramar e pelo exercício de funções como conservador, administrador distrital e governador, destacando lições relacionadas com a honestidade, humildade, confiança na juventude e a importância de ouvir as comunidades.
A propósito da sua experiência na governação, o Presidente da República defendeu que o contacto directo com as populações constitui uma fonte essencial de aprendizagem, permitindo aos dirigentes conhecer melhor as realidades e desafios vividos pelas comunidades.
Na parte final da conversa, Daniel Chapo voltou a destacar a dimensão motivacional da obra, apresentando-a como um contributo para inspirar os moçambicanos a enfrentar as adversidades com coragem, fé e determinação. O livro é igualmente dedicado, entre outras pessoas, à sua esposa e à sua mãe.
Portanto, este livro é mais um presente para a nossa nação e, principalmente, para a juventude. Apesar de ser autobiografia, para os jovens é uma prova que nenhum passado nos condena. Para os líderes, um lembrete de que o verdadeiro poder emana do povo. O povo é uma escola. Para todos nós, um chamado de esperança e superação, concluiu.